• Julia

Entrevista: Laguil – Empreendimentos Veganos de Sucesso

Atualizado: Ago 20

Seguimos agora para a segunda entrevista do projeto Empreendimentos Veganos de Sucesso, com foco em pequenas empresas veganas com produtos de alta qualidade que firmaram sua marca no mercado. Nessa semana, entrevistamos a Laguil, empreendimento com sede em Goiânia – GO desde 2016 que produz mochilas, bolsas e acessórios veganos e sustentáveis com designs exclusivos.


Além dos produtos serem artesanais, todos os itens são reaproveitados: eles usam retalhos para a produção de coleções especiais e também os reutilizam para novas peças. Além disso, atualmente coordenam um projeto social, o DoeGuil, que ajuda crianças carentes e coloca em prática a economia circular dentro da empresa. O intuito é dar nova vida ao que seria lixo, reduzindo o descarte ao mínimo.

Como cliente de carteirinha da empresa, fiz questão de publicar sua história. Confira abaixo os detalhes sobre quem são os idealizadores da Laguil, como foi o processo de criação da empresa e quais dicas eles têm para dar a empreendedores em potencial. Boa leitura!


Qual é o seu nome completo, idade, cidade de origem, formação? Conte-nos mais sobre você.


Nós somos Laura Valério Brandão e Paulo Henrique Batista de Oliveira, de 24 e 28 anos de idade. O Paulo é originalmente de Anápolis – GO e eu sou nascida em SP, criada em MG e moro em Goiânia.


O Paulo é técnico em sistema de informação formado e atuante e responsável por cuidar da parte administrativa, financeira e de marketing da empresa. Já eu sou formada em design de moda e cuido da parte criativa dos produtos.


Qual é a sua relação com o veganismo e porque decidiu empreender nesse setor?


Uma vez fui a uma feira vegana e percebi que havia alta procura por mochilas e acessórios veganos. Além disso, o custo da matéria prima do couro era muito cara e valia mais a pena investir em algo mais em conta.

Como esse universo já me interessava muito, ele acabou me impulsionando a iniciar a transição para o veganismo no âmbito pessoal. A empresa me estimulou a fazer essa mudança.


Como sua empresa começou? Você pensou sobre isso por muito tempo antes de realmente começar o negócio? Fez planejamento? Conte-nos sobre seus primeiros passos.

Quando comecei a faculdade de moda, minha ideia era trabalhar no setor de moda festa e noivas. Mas acabei fazendo um estágio na área e percebi que não era o que eu queria.

Foi então que tive uma disciplina de empreendedorismo, na qual precisava criar um projeto com um protótipo de produto.


No caso, eu estava precisando de uma mochila nova, mas estava sem grana e não encontrava nada além de mochilas feitas de corino (material que desfaz – couro sintético). Por isso, resolvi comprar o tecido e fiz minha própria mochila. Apresentei ela como meu projeto na faculdade e fui muito elogiada. Após ver o resultado, resolvi fazer mais cinco peças em casa e foi assim que tudo começou.


Não houve planejamento da empresa no começo, foi algo bastante orgânico. Não recomendamos que seja feito dessa maneira, mas como não tínhamos feito investimentos ou procurado por sócios, o risco era menor caso algo desse errado. No entanto, a longo prazo isso ficou inviável, pois a Laguil cresceu muito rápido e ficou difícil de gerenciar. Foi então que decidimos nos sentar e colocar ordem na casa.


Os seus pais, parentes ou amigos próximos eram empreendedores? De que forma?

Laura e Paulo, criadores da Laguil

O pai do Paulo tem uma loja de autopeças, portanto tivemos ele como referência. Mas no geral, fomos bastante autônomos com a criação da empresa, procurávamos tudo na internet e nos tornamos autodidatas. O meu pai é formado em administração e nos guiou na parte administrativa mais tarde.


Quais foram as maiores dificuldades que você encontrou para criar o seu negócio?


Uma das maiores dificuldades no começo foi não conhecer fornecedores, por isso acabávamos gastando muito dinheiro com tecidos e tendo menos opções para a produção. Além disso, também não tínhamos dinheiro para investir na empresa e nem contratar funcionários, por isso ficamos responsáveis por fazer tudo.

O Paulo continua com um emprego na área dele, e eu precisava costurar todas as peças sozinha. A sobrecarga acabava sendo muito grande. Hoje em dia, tenho a ajuda de duas costureiras.

Outro ponto era a nossa falta de relevância em 2016, quando iniciamos a marca. Como tínhamos muito pouca clientela e poucos seguidores nas redes sociais, as vendas eram escassas.

Em particular, você tinha alguma experiência em vendas ou marketing? Quão importante foi essa experiência ou a falta dela na criação da sua empresa?


Não tínhamos experiência, mas foi fácil trabalhar com um público definido. Nós sabíamos que precisávamos focar em jovens com a pegada vegana e sustentável.

Também gostamos de conversar com as pessoas, de entender as dores delas e oferecer um atendimento personalizado. Dessa maneira, conseguimos chegar em um produto que atendesse bem a nossa clientela.

Além disso, o alcance orgânico do Instagram era maior há 4 anos atrás, quando criamos a empresa. Hoje em dia não funciona mais assim, por isso o Paulo estuda marketing digital por conta própria para nos atualizarmos.


Nós também acabamos de iniciar E-Mail Marketing. Fica difícil metrificar os resultados, por estar no começo. Mas nós costumamos notificar nossos clientes sobre lançamentos de produtos e reposição de estoques, o que está dando um aumento de acessos no nosso site.


Como o seu empreendimento foi afetado pelo COVID-19?


No começo da pandemia o baque foi bem grande, as vendas despencaram e percebemos que tínhamos que mudar algumas coisas. Nós sempre estivemos no ambiente digital, então já tínhamos esse benefício frente a outros negócios, o que facilitou a conectividade com o nosso público e a continuação das vendas.


O primeiro passo que tomamos foi mudar o nosso tipo de conteúdo no Instagram, passando a focar em posts relacionados a cuidados e prevenções, além de IGTV´s informativos. O segundo ponto foi apostar em tráfego pago, que é uma das ferramentas que mais nos tem ajudado até agora.

Acreditamos que a maior lição a se tirar dessa situação é o fato de que nunca estamos realmente “estáveis”. Existem muitas coisas que podem acabar com um negócio, como essa pandemia, por exemplo. O que podemos fazer é estar o mais preparados possível, tanto em termos reservas financeiras, como em conectividade com o nosso público.


Além disso, também tivemos um tempo de reação rápido, pensando no que aquele momento pedia. Isso foi crucial para que conseguíssemos resultados e sentíssemos menos o impacto da pandemia.

Olhando para trás, quais você acha que foram os conceitos, habilidades, atitudes e know-how mais críticos que você necessitou para conduzir a sua empresa? O que será necessário para os próximos 5 anos?


O mais importante é o planejamento pessoal e da empresa. No meu caso, consegui me dedicar integralmente à Laguil, pois o Paulo tinha outro emprego. Ele bancou as contas enquanto eu empreendia. Foram 4 anos sem receber nada, até começar a ganhar salário. É bom ter uma reserva ou ter um emprego junto com a empresa, mas fica difícil de tocar por causa da falta de tempo.


Também é importante o planejamento de caixa da empresa, para não ter restrições de investimentos depois. É um caminho muito difícil.


O que lhe dá mais prazer no processo de empreender?


Poder entregar o meu produto para os outros. Levar os meus valores às pessoas, criando uma rede de clientes. Cada cliente que compra um dos nossos produtos, é uma pessoa a mais que conseguimos atingir com todos esses valores.


Como você enxerga o mercado vegano se desenvolver no futuro?


Eu vejo uma perspectiva de crescimento muito grande. Vai chegar no mesmo ponto da moda verde e se tornar um nicho de mercado. Começam a entrar as empresas que somente querem lucrar com isso, como a Sadia e a Seara. Ou seja, empresas que não tem os valores do veganismo, mas viram uma oportunidade no nicho. Apesar do interesse ser puramente financeiro, elas têm um alcance muito maior do que empresas menores como a nossa. Elas conseguem chegar em pessoas que os menores não conseguem, abrindo o caminho para o veganismo. Dessa maneira, elas acabam colocando empresas veganas em evidência.


Por último, qual a sua dica para quem quer ser um empreendedor de sucesso?


Ter muita paciência, pois queremos que tudo dê certo muito rápido. Mas é um processo demorado, precisa dar um passo de cada vez; se crescer demais pode ser que não dê conta da demanda.


Caso queira saber mais sobre a Laguil, seguem abaixo as informações de contato:


www.laguil.com.br

Facebook: Laguil

Instagram: @apenaslaguil


Por Julia P.D.

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