• Julia

Como a Inteligência Emocional Pode Transformar a Sua Vida

Atualizado: 28 de Dez de 2019

Nos dias de hoje, a maioria de nós já ouviu falar em inteligência emocional. No século XXI, esse termo tornou-se uma característica indispensável em muitas áreas da vida, inclusive no meio corporativo. Mas o que significa esse conceito? Trata-se de uma ideia relacionada à inteligência social, criada pelo psicólogo estaduniense Daniel Goleman. Ela divide-se entre autoconhecimento emocional, controle emocional, automotivação, empatia e desenvolvimento de relacionamentos interpessoais – um conjunto de aptidões essenciais para sermos capazes de navegar pelos obstáculos da vida de maneira saudável. Apesar dos inúmeros desafios que precisamos enfrentar diariamente, inclusive sob o viés de expectativas e cobranças constantes, podemos aprender a lidar melhor com os percalços que aparecem. Ao sabermos reconhecer e administrar nossas próprias emoções, além de conseguirmos reconhecer as das outras pessoas, seremos capazes de levar uma vida mais consciente.

De acordo com os estudos científicos mencionados por Goleman, além dos benefícios que a inteligência emocional traz às nossas vidas pessoais, ela também tem um impacto positivo em nossa performance acadêmica: “Agora é possível afirmar cientificamente: ajudar as crianças a aperfeiçoar sua autoconsciência e confiança, controlar suas emoções e impulsos perturbadores e aumentar sua empatia, resulta não só em um melhor comportamento, mas também em uma melhoria considerável no desempenho acadêmico.” Isso porque elas adquirem maior capacidade de concentração, raciocínio e confiança para estudar, o que facilita a absorção de novas informações e conhecimentos.


Além disso, já foi comprovado que essa competência é essencial para o cultivo de um cotidiano com menos conflitos, frustrações e inseguranças. Qualquer relação interpessoal – seja ela com a família, amigos, parceiro(a)(s), chefes ou colegas de trabalho – necessita desse tipo de inteligência para melhorar tanto sua qualidade, como sua durabilidade no geral. Como Goleman afirma: “Entre os talentos emocionais estão: autoconsciência; identificar, expressar e controlar sentimentos; controle de impulso; e controlar tensão e ansiedade. (...) Muitas aptidões são interpessoais: interpretar sinais sociais e emocionais, ouvir, ser capaz de resistir a influências negativas, considerar as perspectivas dos outros e compreender qual comportamento é aceitável numa determinada situação.”


Ou seja, estamos falando de habilidades aplicáveis em qualquer tipo de circunstância. Seja na hora de expressar chateação a um amigo, resolver um conflito com o chefe, vender um produto a um cliente ou terminar um relacionamento amoroso. Sim, tratam-se de situações muito delicadas. Mas considerar os sentimentos e necessidades do outro, expressar nossa opinião de maneira assertiva e respeitosa e controlar impulsos emocionais nocivos são elementos vitais para o exercício da inteligência emocional. Basicamente, ela nos ensina a lidar com os outros e com nós mesmos de maneira justa e saudável. Afinal de contas, a vida é cheia de altos e baixos e somos regularmente confrontados com situações que requerem, no mínimo, certa dose de cuidado e reflexão.

Claro, não existe fórmula mágica para ter bons relacionamentos com todos que cruzam o nosso caminho – afinal de contas, as pessoas são diferentes e não podemos controlar as atitudes dos outros. Além disso, cada um tem sua personalidade e suas preferências. Mas podemos, de fato, melhorar certos aspectos do nosso dia a dia aplicando as aptidões mencionadas acima, conforme nossas possibilidades.


Por que precisamos de inteligência emocional?


Todo ser humano se depara com diversos desafios ao longo dos anos, sejam eles relacionados à família, ao amor, à carreira, à falta de segurança, a doenças físicas e psíquicas, à perda de entes queridos, etc. Essas situações fazem parte da nossa existência, e não podemos evitá-las – portanto, o que nos resta é nos esforçarmos para lidar com elas da melhor maneira possível. Além de tudo, também devemos tomar cuidado para não deixar marcas negativas e duradouras em outras pessoas. Afinal de contas, nossas ações afetam aqueles que estão à nossa volta, por isso devemos aprender a refletir e agir com cautela em certas ocasiões.


A inteligência emocional também está intimamente ligada à personalidade e ao caráter de uma pessoa. Ela sabe conviver em sociedade, respeitar as diferenças, não ultrapassar limites, avaliar qual comportamento é adequado em uma determinada situação e, acima de tudo, ter empatia pelos outros? Além disso, ela sabe dizer não em situações de risco, se impor frente a injustiças e debater de maneira construtiva, quando considerar necessário? Outras características – tais como a honestidade e a humildade – são importantíssimas para o exercício dessas habilidades. Seus benefícios são incontáveis: maior equilíbrio emocional, diminuição de estresse e ansiedade, maior clareza nos objetivos, aumento de produtividade, aumento de autoestima, maior realização pessoal, entre outros.


Ou seja, se todos trabalharmos para desenvolvê-las, poderemos criar uma sociedade cada vez mais consciente, empática e favorável para todos. Mas, para colher esses benefícios, devemos praticar o autoconhecimento, a reflexão e a compreensão das dificuldades dos nossos semelhantes. De fato, não é fácil trabalhar características como essas - o ser humano é feito de fases, emoções, experiências, qualidades e defeitos - por isso não devemos levar todos esses conceitos à risca. Essas vivências fazem parte da nossa existência, e também tornam nossas vidas mais coloridas. Sentir e expressar emoções não é negativo em si, pelo contrário: em diversas ocasiões, pode ser algo muito bom. No entanto, não podemos esquecer nosso espírito comunitário, como descrito por Goleman:


“Nos países desenvolvidos, a tendência é para um individualismo exacerbado, o que acarreta, conseqüentemente, uma competitividade cada vez maior – isso pode ser constatado nos postos de trabalho e no meio universitário. Essa visão de mundo traz consigo o isolamento e a deterioração das relações sociais. A lenta desintegração da vida em comunidade e a necessidade de auto-afirmação estão acontecendo, paradoxalmente, num momento em que as pressões econômico-sociais estão a exigir maior cooperação e envolvimento entre os indivíduos.”


Inteligência emocional & problemas sociais


A falta de inteligência emocional está relacionada, acima de tudo, a diversos problemas sociais que nos assolam há décadas. Isso porque ela não está apenas ligada a questões de cunho social, mas também à resiliência e força psíquica de um indivíduo. A partir do momento em que somos capazes de lidar de forma madura e saudável com os incontáveis desafios que inevitavelmente cruzarão o nosso caminho, mais nos sentiremos confiantes e conscientes em relação à nossa própria realidade. Com o suporte de inúmeros estudos, Daniel Goleman chega exatamente ao cerne da questão:


“Na última década, mais ou menos, proclamaram-se ‘guerras’, sucessivamente, à gravidez na adolescência, à evasão escolar, às drogas e, mais recentemente, à violência. O problema dessas campanhas, porém, é que chegam tarde demais, depois que o problema visado já atingiu proporções epidêmicas e deitou firmes raízes na vida dos jovens. São intervenções em crises, o que equivale a enviar ambulâncias para o resgate, em vez de dar uma vacina que previna a doença.”

Para ele, o ideal seria ensinar nossas crianças e jovens a encararem situações difíceis de maneira construtiva, a fim de preservarem a própria saúde psicológica e a dignidade dos envolvidos. Desse modo, diversos problemas futuros poderiam ser evitados já nos primeiros anos de vida, pois o jovem cresceria mais fortalecido para enfrentar os obstáculos que viessem à frente. Além disso, a capacidade de resistir a influências negativas e de criar o próprio caminho é um ótimo recurso para desviá-los de um futuro possivelmente criminoso ou nocivo. Como excelentemente descrito por Christina Berndt, autora do livro Resiliência: O Segredo da Força Psíquica, “É possível que crianças fortes tenham mais coragem de romper com modelos impostos e de seguir suas próprias concepções.”


Goleman analisou diversos programas escolares direcionados ao desenvolvimento da inteligência emocional em crianças e jovens – especialmente àqueles em situação de risco – e chegou à conclusão de que eles fazem uma grande diferença na saúde psíquica dos alunos a longo prazo: “Além das vantagens educacionais, os cursos de inteligência emocional parecem ajudar as crianças a melhor desempenhar seus papéis na vida, tornando-se melhores amigos, alunos, filhos e filhas – e no futuro têm mais probabilidade de serem melhores maridos e esposas, trabalhadores e chefes, pais e cidadãos.”


Além disso, para ele, toda escola deveria dedicar-se ao ensinamento de inteligência emocional, visto que ela é essencial durante o período de desenvolvimento de um indivíduo:


“Como a vida em família não mais proporciona a crescentes números de crianças uma base segura na vida, as escolas permanecem como o único lugar a que a comunidade pode recorrer em busca de corretivos para as deficiências da garotada em competência emocional e social. Isso não quer dizer que as escolas, sozinhas, possam substituir todas as instituições sociais que muitas vezes já estão ou se aproximam do colapso. Mas, como praticamente toda criança vai à escola (pelo menos no início), este é um lugar que pode proporcionar às crianças os ensinamentos básicos para a vida que talvez elas não recebam nunca em outra parte.”


Porque o QI não define o sucesso


A ideia de que o QI de uma pessoa define seu grau de sucesso e prosperidade no futuro já foi desbancado há muitos anos. Isso porque esse conceito desconsidera o fato de haverem vários tipos de inteligência diferentes, como devidamente estudado e comprovado pelo psicólogo Howard Gardner. Entre os diferentes tipos constam as inteligências lógico-matemática, lingüística, musical, naturalística, corporal-cinestésica, espacial, interpessoal e intrapessoal. Ou melhor, a inteligência emocional também faz parte das principais competências de um indivíduo, especialmente ao considerarmos as habilidades inter e intrapessoais:


“É esse o problema: a inteligência acadêmica não oferece praticamente nenhum preparo para o torvelinho – ou para a oportunidade – que ocorre na vida. Apesar de um alto QI não ser nenhuma garantia de prosperidade, prestígio ou felicidade na vida, nossas escolas e nossa cultura privilegiam a aptidão no nível acadêmico, ignorando a inteligência emocional, um conjunto de traços – alguns chamariam de caráter – que também exerce um papel importante em nosso destino pessoal.” (Inteligência Emocional: A Teoria Revolucionária Que Redefine o Que é Ser Inteligente, de Daniel Goleman)


Segundo Goleman, o QI contribui com cerca de 20% para os fatores que determinam o sucesso na vida, o que deixa os outros 80% restantes por conta de outras variáveis. Dentre essas variáveis estão aspectos como classe social, inteligência emocional, sorte, entre outros não especificados. Dessa maneira, ele desbanca o mito de que a inteligência lógica (QI) é o único parâmetro para medir as capacidades intelectuais de um indivíduo.


Podemos aprender a ter inteligência emocional?


Sim, até mesmo os adultos com dificuldades nessa área podem aprender a desenvolver inteligência emocional. Para resumir, ela baseia-se na capacidade de superar crises durante a vida, utilizando suas competências pessoais e sociais para aproveitá-las tanto como parte de seu desenvolvimento pessoal, como do de outras pessoas. Além disso, já foi comprovado que é possível combater tendências genéticas e reformular hábitos profundamente arraigados que adquirimos ao longo dos anos, como evidenciado no livro Inteligência Emocional: A Teoria Revolucionária Que Redefine o Que é Ser Inteligente: “Como observam os geneticistas comportamentais, os genes, por si só, não determinam o comportamento; o ambiente em que vivemos, sobretudo quando experimentamos e aprendemos enquanto crescemos, molda a maneira de uma predisposição temperamental manifestar-se no desenrolar da vida.”


Para resumir, se você deseja melhorar sua qualidade de vida, se dedicar ao desenvolvimento das aptidões mencionadas ao longo desse texto é a melhor opção. Seja ao ler livros, pesquisar, dividir experiências com pessoas ou fazer cursos, você poderá exercitar o que há de melhor em você. Consultar um psicólogo ou frequentar cursos de coaching – assim como diversas palestras ligadas ao tema – também é uma ótima alternativa.

De qualquer maneira, existem passos que podemos seguir para melhorar essa habilidade – prestar atenção em nossas emoções, tentar reduzir sentimentos negativos, enfrentar nossos problemas de maneira assertiva, praticar a empatia e estabelecer nossas prioridades estão entre as melhores alternativas. Esses exercícios servem para nos dar mais controle sobre nossas emoções, sem que nos deixemos dominar por elas em situações críticas. Afinal de contas, a ideia é preservar nossa saúde psíquica, e não eliminar os sentimentos da nossa vida. Eles são, em boas medidas, vitais para o nosso desenvolvimento.


Não podemos ser ingênuos e acreditar que existem pessoas com uma inteligência emocional perfeita, pois nenhum ser humano atinge a perfeição. Cada um de nós trava uma luta diária contra os percalços da vida dentro de nossas próprias possibilidades, e cada um tem seus pontos fortes e seus pontos fracos. Além disso, como mencionado acima, o ambiente e a genética são grandes influências na definição dessas características em um indivíduo. Mas podemos, sim, tentar aperfeiçoar essas competências no nosso cotidiano, pois o ser humano tem grande capacidade de mudança e desenvolvimento. Como diz Goleman: “A aprendizagem emocional é para toda a vida.”


Por Julia P.D.

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