• Julia

A Razão Por Trás do Veganismo: Descubra a Verdade Que Ninguém Te Contou

Atualizado: Mai 3

Quando certas pessoas escutam a palavra “veganismo”, uma ideia relativamente pré-concebida costuma vir à mente: ativistas radicais, rígidos e esfomeados, que estão a um passo de parar no hospital devido a uma anemia severa. Ou, melhor ainda, que invadem fazendas e laboratórios com rostos mascarados para resgatar galinhas e beagles na calada da noite. Trata-se de uma visão bem clichê, não é mesmo? Não que eu considere errado resgatar animais em sofrimento das mãos dessa cruel indústria, muito pelo contrário. Mas veganos, na verdade, possuem muitas faces diferentes. Alguns são mulheres, outros, homens; sejam eles jovens, seniores, ou até mesmo crianças. Também há os católicos, judeus, muçulmanos, budistas, agnósticos ou ateístas. Outros são secretários, políticos, atletas, enfermeiros, atores, professores, contadores, cientistas, garçons e caminhoneiros. Não existem regras.

Dito isto, temos uma tarefa em mãos – questionar de onde vêm esses estereótipos. A resposta é bem simples: falta de informação. Muitas pessoas não se aprofundam no tema e apenas reproduzem o que escutam dos outros. A questão é que, muitas vezes, esses “outros” também não estão bem informados e acabam por repassar ideias errôneas adiante. Sabemos que todo movimento é, de fato, composto por diversas esferas – ou seja, é comum haver um grupo mais “intenso” de pessoas que faz parte dele. No entanto, essas vertentes mais radicais costumam ser minoria. De qualquer maneira, com toda a informação à nossa disposição hoje em dia, especialmente com o advento da internet, podemos preencher essas lacunas de conhecimento com maior facilidade. Sendo assim, comecemos com o básico:


O que é veganismo?


Veganismo é um movimento que visa lutar contra todas as formas de exploração animal. Na prática, isso significa não consumir carne, laticínios, ovos, mel ou comprar qualquer tipo de produto (como vestimentas, sapatos, cosméticos, etc.) que contenha substâncias de origem animal em sua composição. Também significa não apoiar circos, zoológicos ou qualquer outra forma de atração que corrobore o abuso animal.


Por que as pessoas se tornam veganas?


As pessoas se tornam veganas, pois acreditam não ter o direito de causar sofrimento animal sob nenhuma perspectiva. Além disso, o que muitos não sabem, é que elas acabam ajudando o meio ambiente e contribuindo com muitas outras causas importantes ao mesmo tempo. Uma dieta carnista favorece não apenas muitos problemas de saúde, como também um ambiente de trabalho perigoso e, muitas vezes, abusivo, como bem explicado a seguir. A palavra carnismo, de acordo com o Wikipédia, “se refere a um sistema de crenças invisível (...) que justifica a matança de certas espécies para o consumo de sua carne”. Assim como a decisão de se abster de carne e de produtos de origem animal diz respeito a uma ideologia específica, escolher se alimentar desses mesmos produtos também está relacionado a um sistema de valores.


Os perigos para o ser humano: funcionários de abatedouros


Uma das questões relacionadas ao abate de animais são as condições arriscadas às quais os funcionários de abatedouros são submetidos. De acordo com a Occupational Safety and Health Administration (OSHA), o índice de lesões na indústria de processamento de carne bovina e de porco é sete vezes maior do que o índice de outras indústrias privadas. Os movimentos repetitivos e altamente velozes que os funcionários são obrigados a realizar durante múltiplas horas seguidas acabam por causar uma série de doenças físicas crônicas, tais como distúrbios osteomusculares, danos a uma variedade de outros músculos, tendões, ligamentos e nervos, os quais causam distensões, luxações ou inflamações. Além de carregarem seus problemas físicos para o resto da vida, os funcionários ainda podem ser demitidos se não puderem trabalhar tão “eficientemente” quanto os empregadores gostariam.


Os danos ao meio ambiente e a fome mundial


O meio ambiente também é um dos campos mais prejudicados pela pecuária. Com o lançamento em 2014 do Guia Alimentar Para a População Brasileira, o Ministério da Saúde brasileiro admite os riscos que o consumo de produtos de origem animal traz à saúde e ao ecossistema (clique aqui para acessar o conteúdo). Apesar de não riscá-los totalmente do cardápio, o guia declara que tais alimentos podem contribuir para a obesidade e para doenças do coração, assim como para outras doenças crônicas. Além disso, o governo brasileiro apresenta detalhes sobre como uma dieta à base de produtos animais causa danos ao meio ambiente nas mais diversas instâncias:


“A diminuição da demanda por alimentos de origem animal reduz notavelmente as emissões de gases de efeito estufa (responsáveis pelo aquecimento do planeta), o desmatamento decorrente da criação de novas áreas de pastagens e o uso intenso de água. O menor consumo de alimentos de origem animal diminui ainda a necessidade de sistemas intensivos de produção animal, que são particularmente nocivos ao meio ambiente. Típica desses sistemas é a aglomeração de animais, que, além de estressá-los, aumenta a produção de dejetos por área e a necessidade do uso contínuo de antibióticos, resultando em poluição do solo e aumento do risco de contaminação de águas subterrâneas e dos rios, lagos e açudes da região. Sistemas intensivos de produção animal consomem grandes quantidades de rações fabricadas com ingredientes fornecidos por monoculturas de soja e de milho. Essas monoculturas, por sua vez, dependem de agrotóxicos e do uso intenso de fertilizantes químicos, condições que acarretam riscos ao meio ambiente, seja por contaminação das fontes de água, seja pela degradação da qualidade do solo e aumento da resistência de pragas, seja ainda pelo comprometimento da biodiversidade. O uso intenso de água e o emprego de sementes geneticamente modificadas (transgênicas), comuns às monoculturas de soja e de milho, mas não restritos

a elas, são igualmente motivo de preocupações ambientais.”


Como evidenciado acima, uma dieta baseada em carne também contribui para o desperdício de água e para o desmatamento, especialmente quando se fala sobre a floresta Amazônica. No Brasil, mais de 80% do desmatamento é causado pela pecuária, segundo dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) de 2016. Isso sem contar a poluição de água, a fome mundial (já que o gado é alimentado com a maioria dos grãos produzidos) e, é claro, a tortura e matança de animais.


De acordo com a PETA, uma das organizações de direitos animais mais antigas e famosas do mundo, a agricultura animal é responsável por produzir mais gases de efeito estufa do que todos os sistemas de transporte do mundo combinados. Além disso, segundo o Worldwatch Institute, aproximadamente duas a cada cinco toneladas de grãos produzidos mundialmente são consumidos por gado, aves domésticas e peixes. Somente o gado mundial consome uma quantidade de alimentos equivalente às necessidades calóricas de 8.7 bilhões de pessoas – ou seja, mais do que a população terrestre inteira. Isso significa que poderíamos alimentar milhões de pessoas a mais do que agora, erradicando

completamente a fome mundial.


O abate e a tortura de animais


A questão ética do abate e da tortura de animais para benefício próprio representa a principal questão do movimento vegano. Os dados são chocantes: mais de 56 bilhões de animais da indústria pecuária são mortos todos os anos por seres humanos. Esse número, no entanto, não inclui peixes e outros animais marinhos, os quais são mortos em quantidades tão grandes que são apenas medidas em toneladas. Tais informações são fornecidas pela organização de renome Animal Equality, que também esclarece vários outros pontos referentes ao abate de animais.


A indústria de ovos, por exemplo, extermina bilhões de pintinhos machos todos os anos, pois eles não podem produzir ovos para consumo. Eles são sufocados ou triturados vivos pouco tempo após o nascimento. Já as fêmeas passam suas vidas trancafiadas em gaiolas minúsculas – até mesmo as supostamente criadas “ao ar livre” vivem em galpões absolutamente entulhados, sem nunca poderem sair. Além disso, todas têm seus bicos cortados para que não machuquem umas às outras, devido ao stress provocado pelo confinamento. Logo que são consideradas “menos produtivas” – o que acontece geralmente após apenas um ou dois anos de vida –, são enviadas ao matadouro.


O processo que envolve a produção de leite não é muito diferente: as vacas passam suas vidas sendo inseminadas artificialmente para que possam engravidar e, conseqüentemente, produzir leite. Mas, ao invés do leite ir para a prole, que necessita desses nutrientes, ele é vendido para seres humanos. Por isso, o bebê é separado aos berros de sua mãe logo após o nascimento. Além de tudo, como os bezerros não podem engravidar e, portanto, produzir leite, são criados em confinamento com fins de transformarem-se em carne de vitela.

Os peixes sofrem ainda mais com o descaso da sociedade – eles são pescados aos montes e sofrem, em geral, uma morte extremamente dolorosa. Como vítimas de redes de pesca comerciais, eles morrem sufocados, esmagados pelo peso de outros animais marinhos, ou de descompressão ao entrar em contato com a superfície, o que faz seus olhos e órgãos literalmente explodirem.


Ainda há muito o que discutir em relação a cada espécie de animal explorada e às vidas abomináveis que são forçadas a suportar graças aos caprichos e à ganância dos seres humanos. Escreverei artigos mais detalhados sobre cada um desses itens no futuro.


Os veganos são desnutridos?


Nós poderíamos ser, assim como qualquer outra pessoa que se alimenta de maneira pouco saudável. Mas ser vegano em si não tem nenhuma relação com desnutrição. Na verdade, a maioria dos veganos se informa meticulosamente sobre o tema para garantir que estão consumindo todos os alimentos necessários para uma boa saúde. Nós suprimos todas as nossas necessidades nutricionais a partir de uma dieta totalmente à base de plantas. O único suplemento essencial é o de Vitamina B12, como bem explicado pelo nutricionista Dr. George Guimarães:


“A vitamina B12 é produzida por bactérias. Com um estilo de vida moderno, o nosso consumo dessas bactérias foi drasticamente reduzido, o que é ótimo, pois com isso, deixamos de consumir também as bactérias que podem causar doenças. Já os animais não-humanos continuam a consumir água e alimentos não-esterilizados, ciscam o chão, lambem o corpo, etc, o que lhes garante a ingestão das bactérias produtoras da vitamina. Logo, não é a dieta vegetariana que não é natural à espécie humana, mas sim a espécie humana que vive em um ambiente que não lhe é natural.


O fato de a suplementação da vitamina B12 ser necessária em uma dieta vegetariana não significa que a dieta vegetariana não seja natural à nossa espécie. Significa apenas que a nossa espécie está demasiadamente distante do ambiente natural no qual evoluímos, onde a vitamina B12 era suprida pelo consumo freqüente de bactérias presentes na água e nos alimentos. Por esse motivo, para contrapormos um problema causado pela modernidade, uma solução igualmente moderna é necessária e essa solução é a suplementação da vitamina.”


O crescimento do veganismo no mundo


É interessante observar que o veganismo é considerado, hoje em dia, um dos movimentos sociais em maior crescimento no mundo. Com toda a informação disponível na internet e a constante interação entre pessoas dos cantos mais remotos do planeta, os problemas de uma dieta carnista estão finalmente sendo revelados. Dessa maneira, cada vez mais indivíduos estão se conscientizando em relação aos diversos malefícios de uma alimentação à base de produtos de origem animal. Como conseqüência, o número de veganos aumenta cada vez mais em quase todas as partes do mundo. E aqui vai mais uma informação, para a surpresa de muitos: a comida vegana é absolutamente deliciosa! Digo isso com categoria, pois sempre fui uma foodie de carteirinha.


Infelizmente, a linguagem que utilizamos em nosso dia-a-dia nos distancia da realidade do consumo de carne, como evidenciado por Carol J. Adams, autora do livro “A Política Sexual da Carne”: “(...) as partes fragmentadas do corpo [do animal] frequentemente são renomeadas para que o fato de já terem pertencido a um animal seja obscurecido. Depois da morte, as vacas se tornam rosbife, bife, hambúrger; os porcos se tornam bacon, salsicha. (...) A exploração dos animais nos condiciona a aceitar a brutalidade como um fato cotidiano normal e razoável.”


De qualquer forma, já foi comprovado que o ser humano pode viver uma vida plena e absolutamente saudável usufruindo exclusivamente de uma alimentação à base de plantas. Eu mesma, juntamente com milhares de outras pessoas no mundo inteiro, somos a prova viva disso. Por isso, cabe a nós questionarmos e rompermos com “tradições” que não fazem sentido, especialmente quando elas trazem tanto sofrimento a bilhões de seres inocentes ano após ano. O ser humano é o único ser vivo capaz de refletir intelectualmente sobre o que acontece ao seu redor, e deveríamos usar essa incrível capacidade para melhorar o mundo, e não para torná-lo um lugar pior para outros seres sencientes. Como bem dito por Carol J. Adams, “Ter uma opinião minoritária em uma cultura dominante é muito iluminador.”


Por Julia P.D.

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