• Julia

5 Motivos Para Você Ler "O Diário de Anne Frank"

Atualizado: 31 de Ago de 2018

Hoje em dia, todos já temos ciência do impacto que o Holocausto causou na população judaica e em todos aqueles que se opuseram ao regime nazista nos anos quarenta. Com milhares de fotos, vídeos e relatos de sobreviventes à nossa disposição, não é nenhum segredo que essa era representou um marco sombrio na história da humanidade. Mas, mesmo com a rica variedade de informações disponíveis sobre o assunto, nada se compara ao relato de uma jovem judia que, ao ver-se sem saída, foi obrigada a passar dois anos trancafiada em um local secreto junto com outras sete pessoas.

A família Frank (Otto Frank, Anne Frank, Edith Frank e Margot Frank) com amigos indo a um casamento

Annelies Marie Frank, mais conhecida como Anne Frank, foi uma adolescente alemã de origem judaica, que se tornou internacionalmente conhecida após ter seu diário pessoal publicado em 1947. Sua história transformou-se em um símbolo de esperança no mundo inteiro, pois reflete, até hoje, o destino abominável que milhares de judeus e inimigos do regime nazista foram obrigados a enfrentar durante a Segunda Guerra Mundial. Apesar dos horrores do Holocausto, Anne foi capaz de mostrar como a empatia, a bondade e a perseverança podem perdurar mesmo frente a dificuldades de tamanha magnitude. Totalmente à frente de sua época, não lhe faltava força e nem determinação para encontrar o seu espaço no mundo. Como ela mesma descreveu: “(...) enfrento a vida com uma reserva extraordinária de coragem. Sinto-me forte e capaz de suportar fardos, jovem e livre! Quando percebi isso pela primeira vez, fiquei satisfeita, porque significa que posso enfrentar com mais facilidade os golpes da vida”.


O Diário de Anne Frank foi escrito pela própria de 1942 a 1944, período no qual encontrava-se escondida em um anexo secreto atrás do escritório de seu pai, juntamente com sua família, a família Van Daan e o dentista Albert Dussel. Durante esse período, a jovem enfrentou todas as mazelas da passagem para a vida adulta, pois tinha apenas 13 anos quando teve que se refugiar dos nazistas. Nascida originalmente em Frankfurt am Main, na Alemanha, ela passou grande parte de sua vida em Amsterdã, capital da Holanda. Foi exatamente durante o início da ocupação alemã que a família Frank sentiu-se obrigada a se proteger, visto que Margot, irmã de Anne, havia sido convocada para realizar trabalhos forçados em um campo de concentração. Com a ajuda de generosos colegas de trabalho de Otto Frank, o pai da jovem, eles puderam se esconder durante dois

longos anos sem serem descobertos.


Infelizmente, todos os que estavam refugiados no anexo secreto foram capturados pela guarda alemã em agosto de 1944, pouco antes do fim da guerra. Até hoje, não se sabe quem os delatou. O único sobrevivente da guerra foi Otto Frank, que dedicou o resto de seus anos à divulgação da história de sua filha. Apesar de tratar-se de uma narrativa muito triste e com um final bastante previsível, ela continua a nos presentear com valiosas lições de vida. Com isso em mente, decidi elucidar o que podemos aprender com O Diário de Anne Frank:


1. Todos somos apenas seres humanos

A jovem Anne possuía muitas características admiráveis, mas uma das principais era a sua humanidade: ela nos mostrou como todos experienciam os mesmos anseios, os mesmos medos, necessidades e dificuldades. Não importa de que país, época, religião ou etnia você seja, há sentimentos que são simplesmente inerentes ao ser humano. Até mesmo uma menina trancafiada por dois anos em um cubículo com outras sete pessoas, assombrada pelo receio de ser capturada e morta, vivencia momentos comuns de insegurança, raiva e deslumbramento em seu cotidiano. Foi com grande sensibilidade que ela descreveu todas as emoções, questionamentos e descobertas que experienciou durante sua relativamente curta fase de transição para a vida adulta. Esse aspecto faz com que nos identifiquemos facilmente com os seus sentimentos mais íntimos.


2. Os sonhos não têm limites


Sonhos e expectativas para futuro também não faltavam à jovem: apesar de todos os horrores que era forçada a enfrentar, ela continuava com uma esperança inabalável no amanhã. “Vejo o mundo se transformando aos poucos numa selva, ouço o trovão que se aproxima e que, um dia, irá nos destruir também, sinto o sofrimento de milhões. E, mesmo assim, sinto de algum modo que tudo mudará para melhor, que a crueldade também terminará, que a paz e a tranqüilidade voltarão. Enquanto isso, devo me agarrar aos meus ideais. Talvez chegue o dia em que eu possa realizá-los!”.


Anne sonhava em se tornar escritora e viajar pelo mundo - afirmava que a vida de dona de casa, assim como a de sua mãe, não era para ela. A maturidade e a profundidade que ela revelava em suas palavras e reflexões eram, no mínimo, surpreendentes para alguém de sua idade. Ambiciosa e inteligente, a menina não tinha medo de se expressar.


3. Não devemos ter medo de ser quem somos


Uma das maiores dificuldades que a adolescente vivenciava, eram as constantes críticas às quais era submetida pela sua família e os outros integrantes do anexo secreto. Tanto sua personalidade como seu comportamento eram constantemente reprimidos pela maioria deles; apenas o seu pai mostrava maior compreensão em relação aos seus sentimentos e à sua visão de mundo. Ela era constantemente chamada de metida, espevitada e ousada, especialmente por fazer questão de expressar sua opinião em meio a uma casa quase exclusivamente de adultos.

Como dito anteriormente, ela estava muito à frente de sua época: queria trabalhar como escritora, viajar, estudar artes em Londres e Paris e não enxergava o casamento como algo necessário entre um homem e uma mulher. Anne chegou até mesmo a demonstrar curiosidade sexual em relação a meninas, embora se interessasse primordialmente por garotos. O que muitos não sabem, é que ela também era feminista: “Uma das muitas perguntas que me incomodam é por que as mulheres eram vistas, e ainda são, como inferiores aos homens. É fácil dizer que isso é injusto, mas não basta; realmente gostaria de saber o motivo dessa grande injustiça! (...) As mulheres modernas querem o direito de ser completamente independentes.”


Ou seja, mesmo em meio a objeções e reprimendas de todos à sua volta, a jovem não se deixava abater e continuava a ser fiel aos seus ideais acima de tudo.


4. A intolerância e o ódio devem sempre ser combatidos


Anne também falava sobre a perseguição que os judeus sofriam. Todos os habitantes do anexo secreto estavam constantemente em alerta, e tomavam todas as precauções para não serem descobertos. Durante o dia, não podiam fazer barulho até que os funcionários do escritório de seu pai fossem embora. Nunca podiam sair na rua, ou seja, dependiam totalmente da boa vontade de seus amigos lá fora para sobreviver. A comida ficava cada vez mais escassa, faltava carvão para aquecer a casa no inverno, e suas roupas estavam sujas e rasgadas de tanto uso. Além disso, escutavam constantemente barulhos de tiros e explosões do lado de fora, sem saber se aqueles seriam seus últimos momentos de vida.

Apesar dos horrores impostos aos judeus, a jovem continuava a acreditar que aquela era sombria seria capaz de ensinar algo à humanidade: “Aos olhos do mundo, estamos condenados, mas, se depois de todo esse sofrimento ainda sobrarem judeus, o povo judeu servirá de exemplo. Quem sabe, talvez nossa religião ensine ao mundo e às pessoas o que é a bondade, e talvez esse seja o único motivo de nosso sofrimento. Nunca poderemos ser apenas holandeses, ou ingleses, ou de qualquer outra nacionalidade, sempre seremos também judeus”. Sua empatia frente a uma situação tão aterrorizante e desonesta como aquela, representa um grande exemplo de força e bondade. A intenção de Anne não era pagar na mesma moeda, mas tentar trazer maior compreensão e paz àqueles que lhe faziam mal. Mesmo assim, não deixava de evidenciar as injustiças às quais os judeus e inimigos dos nazistas eram submetidos.


5. Devemos aprender com o passado


Na minha opinião, uma das principais lições que podemos tirar da história de Anne Frank, é que devemos fazer o possível para evitar que um episódio como esse se repita. A consciência em relação aos acontecimentos do passado deve servir de exemplo para o que não deve ser feito no futuro. Trata-se, como se diz no inglês, de uma “cautionary tale” – ou seja, de um “conto de advertência”. Demonstrações de ódio, intolerância e preconceito devem sempre ser apontadas e coibidas.


Para concluir, acredito que O Diário de Anne Frank seja de grande importância para a humanidade, pois se trata de um registro de uma garota que, apesar da pouca idade, foi capaz de captar a essência do Holocausto com sensibilidade e maestria. Não é à toa que seu livro se tornou um símbolo dos horrores da Segunda Guerra Mundial. Para maiores detalhes sobre sua vida no anexo secreto e sua morte nos campos de concentração, não hesite em ler a obra inteira. Vale muitíssimo à pena, pois nós só temos a aprender com essa incrível história de força, esperança e superação.


Por Julia P.D.

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