“Nossa, mas o que você come? Eu não conseguiria viver assim” é uma das frases que eu mais escuto das pessoas à minha volta quando elas descobrem que eu sou vegana. Como se tirar alimentos de origem animal do cardápio nos deixasse somente com algumas folhas de alface no prato. Como se fosse um grande sofrimento, um sacrifício. Uma vida de privações.

As pessoas estão tão acostumadas a seguir a cartilha alimentar “tradicional”, comendo menus como macarrão com frango, bife com batata frita e lasanha à bolonhesa, que não conseguem conceber uma alimentação que seja diferente disso. Mas acreditem: ela existe, e é maravilhosa! Sofrimento? Privações? Que nada! Sabia que dá para fazer o que é certo e, ainda assim, ser muito feliz com as suas escolhas? É isso mesmo. Você já parou para pensar que se alimentar de carne, ovos e leite não passa de uma convenção social?


Como uma vegana inveterada há quase 6 anos, preciso confessar: minha saúde e o meu prazer com a comida aumentaram mais do que nunca. É arroz com feijão, hambúrguer de lentilha, farofa de cebola, mix de legumes refogados, vinagrete, macarrão ao molho rosé, hommus, batatas assadas, lasanha de palmito, falafel, pizza, salgadinhos de festa e uma infinidade de outras iguarias de dar água na boca. Sempre apreciei um bom prato de comida, mas nada me deu tanta satisfação quanto mudar a minha alimentação para 100% à base de plantas.


Lá no começo, em 2016, eu ainda fiz um esforço para cortar o queijo da minha vida, pois era muito apegada a ele, como qualquer outra pessoa que cresceu em nossa sociedade. Você sabia que, segundo um estudo realizado na Universidade de Michigan, o queijo possui uma substância chamada caseína, capaz de causar dependência e provocar reações no organismo semelhantes às da cocaína? Pois é.


Naquela época, eu já não comia carne há quatro anos e não fazia mais questão de consumir leite e nem ovos, então esse era o último passo para transformar a minha alimentação por completo. Sim, houve uma fase de adaptação, pois eu tinha o já mencionado “vício” no queijo. Mas foi apenas uma questão de tempo para que ele e outros alimentos que eu consumia perdessem totalmente a graça para mim.


Hoje em dia, uma das minhas maiores felicidades é o meu estilo de vida vegano. Não sinto falta, nem de longe, de carne, ovos e leite e nem alimentos que os tenham em sua composição. Para mim, se o alimento em questão não é vegano, nem entra na minha zona de consideração. Quase como se não existisse mesmo.


O meu prazer é tão grande em ter essa alimentação, que eu vivo procurando novas opções e aprecio, especialmente, alimentos feitos artesanalmente. Como o fondue de “queijo” vegano, por exemplo. Na verdade, ele não lembra queijo – é basicamente uma reinterpretação do que se conhece por fondue de queijo. Feito de batata, mandioquinha, polvilho, levedura e vinho branco, e só. E sendo bem sincera? É muito melhor do que o original. Assim como o hambúrguer de lentilha, que em nada imita a carne. Somente imita o formato de alimento que nós sempre estivemos tão acostumados a comer. Mas o sabor é completamente diferente, e absolutamente incrível.

Eu não sou o tipo de vegana que gosta de procurar substitutos para alimentos de origem animal, embora já existam muitas alternativas por aí. Isso por que eu simplesmente não sinto falta de nenhum deles. Descobri um mundo muito mais colorido em termos de alimentação, e simplesmente não consigo compreender o prazer das pessoas de consumirem tantos alimentos à base desses ingredientes.


Mas essa sou eu, e de uma coisa tenho certeza: eu serei vegana durante toda a minha vida. E com muita felicidade e prazer.


Por Julia P.D.

Atualizado: 18 de dez. de 2020

A quinta e última entrevista do meu projeto Empreendimentos Veganos de Sucesso será com a notável Padoca Vegan. Inaugurada em 2017, ela oferece uma enorme variedade de sanduíches, doces e quitutes veganos de padaria tipicamente paulistanos. A qualidade da comida é excepcional e sempre atraiu um grande público, inclusive de não-veganos.


Além disso, a padoca também produz diversos pratos quentes sem nada de origem animal, com um menu que varia diariamente. O empreendimento é um paraíso não apenas para veganos, mas para qualquer pessoa que decida se aventurar por essa culinária deliciosa e sem nenhuma crueldade animal envolvida.

Dito isso, vamos conferir a entrevista abaixo com as duas sócias da Padoca Vegan, na qual elas revelam detalhes sobre o processo de criação da padaria, suas maiores dificuldades e como conseguiram alcançar sucesso.


Qual é o seu nome completo, idade, cidade de origem, formação? Conte-nos mais sobre você.


Nós somos a Renata Altheman Camargo Santos e a Denise Camargo Consolmagno, sócias da Padoca Vegan. Nós nos conhecemos na época de escola em Cotia, pois estudávamos juntas. Ambas nascemos em São Paulo-SP, mas nossas famílias moram em Cotia. A Denise tem 34 anos e é formada em nutrição, e eu (Renata) tenho 35 anos e sou formada em História e Relações Internacionais.

Eu cuido da parte de marketing e administrativa do negócio, já a Denise cuida da cozinha, em especial da produção dos pães. Qual é a sua relação com o veganismo e porque decidiu empreender nesse setor?


Eu me tornei vegetariana com apenas 15 anos de idade e transicionei para o veganismo em meados de 2015. Já a Denise foi vegetariana por um tempo e acabou desistindo, mas se empolgou com a ideia da Padoca Vegan e aderiu ao veganismo.

Como sua empresa começou? Você pensou sobre isso por muito tempo antes de realmente começar o negócio? Fez planejamento? Conte-nos sobre seus primeiros passos.

A Padoca Vegan faz, na verdade, parte do hostel que também administramos, que se chama Hostel Alice (em homenagem à avó da Denise, que morava na casa). A Denise abriu o local em 2011 e depois me chamou para tocar o negócio com ela.

Denise e Renata, criadoras da Padoca Vegan

Conforme o tempo foi passando, eu acabei trazendo vários clientes vegetarianos e veganos ao hostel, então percebemos que tinha bastante demanda para comida nessa linha. Além disso, como nosso café da manhã era feito por voluntários que trocavam suas habilidades por estadia, sua qualidade variava muito.


Até que um dia resolvemos realizar um evento de uma semana com comidas de padaria veganas, e fez muito mais sucesso do que imaginávamos. Como também gostávamos muito de cozinhar, decidimos criar a Padoca Vegan em 2017, inicialmente aberta somente aos fins de semana. Assim, tivemos a chance de reformar a cozinha, investir em equipamentos e testar mais receitas, até que pudemos abrir durante a semana também.

Os seus pais, parentes ou amigos próximos eram empreendedores? De que forma?


Na família da Denise, não havia ninguém que já empreendesse. Já o meu pai começou uma empresa do zero de engenharia, além de já ter aberto diversas outras empresas durante a sua vida.

A outra avó da Denise (italiana) também nos auxiliou bastante para aperfeiçoar as nossas receitas de pão, pois ela era expert nisso.

Quais foram as maiores dificuldades que você encontrou para criar o seu negócio?


A maior dificuldade foi encontrar mão de obra especializada, especialmente na área de panificação – pois muitos candidatos não tinham abertura para produzir alimentos estritamente veganos.

Além disso, tivemos que criar todas as receitas do zero, pois não tínhamos base para criar os produtos – nada era vegano ou tinha garantia de ser vegano na época em que abrimos. Hoje em dia isso já mudou e nós até revendemos alguns produtos no nosso empório.

Em particular, você tinha alguma experiência em vendas ou marketing? Quão importante foi essa experiência ou a falta dela na criação da sua empresa?


Nós não tínhamos conhecimento prévio de marketing, tivemos que aprender tudo sozinhas.

Contamos com o alcance orgânico das redes sociais e com a indicação boca a boca dos nossos clientes, especialmente nas proximidades da nossa padoca.

Como o seu empreendimento foi afetado pelo COVID-19?

Primeiramente tivemos que fechar o nosso espaço físico devido às normas de saúde. Nós trabalhávamos com a casa principal, na qual estava localizada o hostel, e uma casa ao lado, que servia para o estoque e produção de alimentos. Infelizmente, o proprietário dessa outra casa solicitou o local de volta e ficamos com muito menos espaço para os nossos equipamentos.


Além disso, o hostel continua fechado, já que o setor de turismo está muito ruim – ainda não sabemos quando ele vai reabrir.


Nós também não trabalhávamos com delivery, que correspondia somente a 5% do nosso faturamento, mas fomos obrigadas a aprender como oferecer esse serviço. Com essa mudança, tivemos que alterar o nosso cardápio para se adaptar ao tempo mais longo de entrega, sem incorrência de ônus para os nossos clientes.


Fora isso, também estamos focando na revenda de produtos e na venda de pães para outras empresas.

Olhando para trás, quais você acha que foram os conceitos, habilidades, atitudes e know-how mais críticos que você necessitou para conduzir a sua empresa?


Foi muito importante ouvir o público e aprender muito com os feedbacks que recebemos. Nunca se sabe o que vai vender bem, mesmo quando você aposta muito em um novo produto. Por isso é necessário entender quem é o seu cliente.


Adicionalmente, não queríamos vender só para veganos, mas também para simpatizantes. Dessa forma, podemos mostrar a quantidade de produtos veganos saborosos e de alta qualidade disponíveis no mercado.

O que lhe dá mais prazer no processo de empreender?


Receber o feedback positivo dos clientes, o que mostra que estão gostando do que fazemos. Esses dias uma cliente nossa escreveu de Salvador, para avisar que tinha aberto uma padaria vegana em sua cidade inspirada na nossa padoca. Esse tipo de retorno é muito gratificante.


Como você enxerga o mercado vegano se desenvolver no futuro?

Os empreendimentos veganos não se enxergam como concorrência, mas como aliados da causa para promover o que acham correto.

A tendência desse mercado é crescer muito, pois as pessoas estão se conscientizando e as opções estão crescendo exponencialmente. Várias pesquisas indicam que o mercado vegano cresce 40% ao ano mesmo em tempos de crise.


Por último, qual a sua dica para quem quer ser um empreendedor de sucesso?


Escutar muito bem os feedbacks dos clientes - como o mercado vegano é relativamente novo, não tem receita pronta. Precisamos sempre ouvir as pessoas.

Caso queira saber mais sobre a Padoca Vegan, confira os dados de contato abaixo:

Facebook: Padoca Vegan

Instagram: @padocavegan


Por Julia P.D.

Para a nossa quarta semana do projeto Empreendimentos Veganos de Sucesso, temos uma entrevista com a incrível Panoplano, empresa que produz lindas bolsas e acessórios sem materiais de origem animal desde 2015. Além de se tratar de uma produção local e artesanal, as peças contam com tecidos eco pet ou impermeáveis, de forma a promover o consumo consciente e a utilização de matéria-prima nacional.


Os produtos da empresa são conhecidos por sua alta qualidade e base em princípios éticos e sustentáveis, o que é muito valorizado pelos clientes. A marca também oferece mochilas e bolsas nos mais variados estilos e estampas, atendendo aos mais diversos gostos do público.

Dito isto, prossigamos para a entrevista a seguir com informações valiosas sobre o processo de criação da Panoplano, as dificuldades que a criadora encontrou no caminho e lições importantes para quem quer empreender. Boa leitura!


Qual é o seu nome completo, idade, cidade de origem, formação? Conte-nos mais sobre você.

Meu nome é Renata Cukauskas, tenho 42 anos e sou originalmente de São Paulo – SP. Sou técnica em Artes Gráficas pela Senai e Graduada em Design na Universidade Anhembi Morumbi. Além disso, me certifiquei no Curso de Ourivesaria na FAAP e sou costureira (sem formação - fiz cinco aulas no Rainhas da Costura para aprender a usar a máquina, e o restante aprendi sozinha).

Os seus pais, parentes ou amigos próximos eram empreendedores? De que forma?

Meu irmão possui uma empresa de Compostagem Residencial e Fertilizantes, mas o restante dos meus amigos e familiares não são empreendedores.

Qual era a sua experiência anterior no trabalho? Ela foi útil? Qual experiência particular foi especialmente importante?

Renata Cukauskas, criadora da Panoplano

Trabalhei como funcionária durante 20 anos (comecei a trabalhar cedo, aos 17 anos) na área gráfica editorial e promocional como produtora gráfica, CLTista. Em particular, o que foi mais útil para criar o meu empreendimento foi minha experiência com atendimento ao cliente, no desenvolvimento de produtos e o aproveitamento de materiais.

Qual é a sua relação com o veganismo e porque decidiu empreender nesse setor?

Eu sou vegetariana e também vejo o setor de produtos veganos como potencialmente em crescimento (que bom! ;-))

Como sua empresa começou? Você pensou sobre isso por muito tempo antes de realmente começar o negócio? Fez planejamento? Conte-nos sobre seus primeiros passos.

A ideia da empresa veio à tona quando estávamos viajando e sentimos falta de uma mochila resistente e com tudo o que precisávamos. Então pensamos: se não achamos uma do jeito que queremos, vamos produzir nós mesmos! Outra questão é que as mochilas que achamos para comprar tinham qualidade ruim e eram vendidas somente no mercado de fast fashion, ou eram caras demais.

Após 20 anos na comodidade de um emprego CLTista (e sem muito prazer no trabalho) decidi que era o momento, finalmente, de ser feliz e fazer algo que me trouxesse mais satisfação. A área gráfica também estava em declínio e era a hora! Porém, o que fazer? A joalheria era um hobby que poderia se transformar em negócio, porém não achei que seria um nicho muito rentável. Então, durante um ano sabático, viajei, pensei muito, estudei várias coisas relacionadas a artes manuais (que é minha paixão) e cheguei na costura.

Algumas pessoas achavam que eu estava indo para fora da caixinha e que eu deveria voltar ao meu antigo ramo, porém eu estava decidida a mudar totalmente de vida e colocar meu lado criativo para fora, do meu modo e para mim. Minha família e meu companheiro, principalmente, me apoiaram muito e me deram forças para seguir com a ideia.

Tive ajuda do meu companheiro em alguns processos, mas a maioria tive que aprender e realizar sozinha.

Quais foram as maiores dificuldades que você encontrou para criar o seu negócio?

A maior dificuldade foi descobrir onde vender os meus produtos. No começo, usei um marketplace de artesanato, mas vi que não era meu nicho. Depois comecei a participar de feiras, mas são muito cansativas e nem todas geram um retorno bacana.


Além disso, eu também não tinha muita noção de estoque. Quando a marca começou a crescer, eu não dava conta de produzir tudo sozinha, então tive dificuldades em achar um fornecedor bom e comprometido.

Você tinha alguma experiência em vendas ou marketing em particular? Quão importante foi essa experiência ou a falta dela na criação da sua empresa?

Eu tinha experiência em vendas, mas não em marketing. Isso envolve muito estudo e ainda estou aprendendo. Acredito ser a parte mais difícil de um negócio.

Como foi o processo de adquirir clientes? Quais principais ferramentas de marketing você utilizou?

Os amigos que compravam e indicavam foram muito importantes. Além disso, tive um bom retorno com as vendas no marketplace no início e depois com o marketing digital, incluindo o uso de Facebook Ads.

Do seu ponto de vista, quais são os pontos fortes e fracos do seu negócio?

Entre os pontos fortes estão o fato de ser um produto durável, com garantia, produzido localmente e vegano. Os pontos fracos são saber o quanto produzir para estoque, a sazonalidade e a constante mudança nas ferramentas de marketing digital, tenho que estudar muito e a todo momento.

O que lhe dá mais prazer no processo de empreender?


Criar e ver o retorno positivo dos clientes. Saber que estamos fazendo o possível para criar um mundo mais sustentável. É um trabalho de formiguinha, mas que, unida a outras marcas, faz uma grande diferença.

Como você enxerga o mercado vegano se desenvolver no futuro?


Isso é só o começo. O veganismo vem com tudo.

Por último, qual a sua dica para quem quer ser um empreendedor de sucesso?


Não desanime, persista. Não se compare com outras marcas. Estude e pesquise muito. Não desista, é uma satisfação enorme empreender naquilo em que se acredita.


Caso queira saber mais sobre a Panoplano, confira as informações de contato a seguir:


www.panoplano.com.br

Facebook: Panoplano Instagram: @panoplano


Por Julia P.D,

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