O empreendedorismo tornou-se algo muito difundido no Brasil nos últimos anos. Segundo uma pesquisa realizada pela GEM (Global Entrepreneurship Monitor) em 2019, 38,7% da população brasileira é empreendedora, o que equivale a cerca de 53,5 milhões de pessoas no país. Em comparação com os outros países da BRICS, como Rússia, Índia, China e África do Sul, o Brasil conta com a maior taxa de empreendedorismo de todas.


Além disso, um estudo conduzido pela Infiniti Research, fornecedora de soluções de inteligência de mercado, aponta que a expansão do mercado de produtos veganos está apenas começando. Os motivos para esse crescimento são a ampla adoção do veganismo no mundo, a “pegada” ecológica e o desejo de se abster de produtos que envolvam exploração animal.


Com isso em mente, decidi criar um novo projeto de Empreendimentos Veganos de Sucesso, com foco em pequenas empresas veganas com produtos de alta qualidade que firmaram sua marca no mercado. Além do setor alimentício, também teremos entrevistas com produtores brasileiros de bolsas, mochilas e acessórios veganos e sustentáveis. Acho que nem preciso dizer que escolhi as minhas marcas preferidas, das quais já sou cliente de carteirinha, né?


Agora é hora de apertar os cintos e dar o primeiro salto com a nossa mais do que querida Fratelli Basilico Pizza Vegana. Confira abaixo os detalhes sobre quem são os idealizadores do restaurante, como foi o processo de criação da empresa e quais dicas eles têm para dar a empreendedores aspirantes.


Qual é o seu nome, idade, cidade de origem, formação? Conte-nos mais sobre você.


Nós somos a Fernanda Natrieli de Freitas, de 45 anos, e o Renato de Freitas, de 48 anos. Eu sou dentista ainda atuante e o Renato é originalmente formado em administração, e trabalhava como gerente financeiro de uma multinacional antes de criarmos a Fratelli. Ambos somos naturais de São Paulo-SP e papais de lindos gêmeos de 6 anos de idade.

O Renato cuida da parte operacional do negócio, e eu cuido do Marketing da empresa. Ambos somos responsáveis por tomar conta da parte administrativa.


Qual é a sua relação com o veganismo e porque decidiu empreender nesse setor alimentício?


Nós entramos no ramo do veganismo por oportunidade de negócios. A prima do Renato, Monica, é sócia do restaurante Pop Vegan Food em São Paulo e percebemos que eles estavam com dificuldades em atender os clientes da zona sul da cidade. Com essa demanda em mente, e vendo como o Pop Vegan estava dando certo, começamos a idealizar a nossa própria pizzaria vegana no início de 2017.


Como sua empresa começou? Você pensou sobre isso por muito tempo antes de realmente começar o negócio? Fez planejamento? Conte-nos sobre os seus primeiros passos.


Conforme explicamos, nós identificamos a demanda de uma pizzaria vegana na zona sul de SP por intermédio do Pop Vegan Food em 2017. A partir de então, fomos amadurecendo a ideia de negócio – procurando fornecedores, ingredientes, recheios, assim como um local adequado para locação. Com a ajuda de familiares e amigos especialistas em economia, legislação, marketing e outras áreas importantes, fomos moldando o nosso restaurante.

Fernanda e Renato de Freitas, donos da Fratelli Basilico

Já em outubro de 2017, alugamos o nosso antigo salão no bairro do Brooklin em São Paulo e reformamos tudo até fevereiro de 2018. Foi então que abrimos as portas somente para familiares, amigos e conhecidos para testar e avaliar as nossas pizzas e desenvolver os pontos que ainda precisavam ser melhorados. Foram testes de massa, recheio, fermentação, etc. Assim, com tudo pronto para o início do restaurante, abrimos o nosso salão para o público em abril de 2018.


Quais foram as maiores dificuldades que você encontrou para criar o seu negócio?


Como nenhum de nós havia empreendido antes, o know how dos nossos amigos e familiares foi essencial para nos colocar no caminho certo. Com esse auxílio, não tivemos muitas dificuldades para criar o nosso negócio. Além disso, tivemos orientações dos nossos fornecedores para as combinações e sabores das pizzas, por isso não ficamos no escuro e pudemos desenvolver as nossas receitas sem maiores problemas.


Como foi o processo de adquirir clientes? Quais principais ferramentas de marketing vocês usaram?


Nós utilizamos somente o marketing digital, com a alimentação de nossas redes sociais e a criação de publicações pagas. Alguns influenciadores também nos ajudam com postagens dos nossos produtos.


Como o seu empreendimento foi afetado pelo COVID-19?


O fechamento do nosso salão foi uma das piores consequências, pois tínhamos acabado de nos mudar para Moema e o aluguel não é barato nessa região. Com isso, precisamos nos reinventar e investir em alternativas para chamar a atenção dos clientes. É um trabalho contínuo para nos mantermos em pé apenas com delivery.


No entanto, com a liberação da prefeitura, estamos prestes a reabrir o nosso restaurante físico, seguindo todas as normas de saúde estipuladas para combater o coronavírus. Além disso, também contamos com um novo empório de produtos veganos, onde você pode encontrar fondue, requeijão, patês, tofu, entre outros.


Como você enxerga o mercado vegano daqui para a frente?


A tendência é de crescimento, como mostra a demanda pela nossa pizzaria vegana.


Qual o fator mais importante para o sucesso da sua empresa?

Além da qualidade do nosso produto, nós investimos muita energia na nossa marca, focando em um trabalho com excelência e muito carinho com os clientes. Também somos muito envolvidos inclusive na produção das nossas pizzas, desenvolvendo as nossas próprias receitas.


O que lhe dá mais prazer no processo de empreender?


A paixão pelo que nós fazemos. Nós adoramos participar de todo o processo de criação da pizzaria e, apesar do trabalho árduo, trabalhamos com muita vontade.


Qual a sua dica para quem quer ser um empreendedor de sucesso?


Nossa dica é se preparar para muito trabalho. Mas com dedicação, amor e organização (tanto financeira como de tempo), uma hora dá certo. O começo é o mais difícil.

O segredo está no dia a dia – temos que construir a nossa casa com um tijolinho de cada vez.


Caso queira saber mais sobre a Fratelli Basilico Pizza Vegana, seguem abaixo as informações de contato:


www.fratellibasilico.com.br

Facebook: Fratelli Basilico Pizza Vegana

Instagram: @fratellibasilico

Endereço: Avenida Cotovia, 432 - Moema, São Paulo/SP


Por Julia P.D.

Nos últimos tempos, dois fatores me levaram a refletir muito sobre o comportamento do ser humano em situações de sobrevivência. A primeira é a pandemia, e a segunda são os seriados que assisti sobre o tema, em especial um anime incrível da Netflix chamado 7SEEDS. Diante das diversas situações fictícias apresentadas nas séries, a maioria parece ser bastante realista, o que me leva a questionar a real natureza do ser humano.


O Brasil já se encontra no quinto mês após o registro da primeira contaminação por coronavírus no país. Dentro desse tempo, foi possível identificar vários comportamentos questionáveis por parte de muitas pessoas, mesmo em não se tratar de um cenário apocalíptico. Indivíduos se recusando a usar máscara em locais públicos, saindo sem necessidade durante a quarentena, não tomando os devidos cuidados de higiene. Fora os que chegam ao nível de organizar festas ou agredir funcionários de estabelecimentos que exigem o uso de máscara, pois se recusam a usá-la.

Mas, em circunstâncias realmente apocalípticas, não é difícil imaginar como seria o comportamento de grande parte da população em termos gerais. Roubar comida e recursos de outras pessoas, largar sobreviventes ao relento ou “eliminar” integrantes de outros grupos estão entre as opções mais prováveis.


Com isso em mente, usemos os próximos parágrafos para refletir mais sobre a natureza humana em um possível panorama de fim de mundo.


Cenário pós-apocalíptico em 7SEEDS


O absolutamente intrigante e inteligentíssimo seriado de animação japonesa produzido por Yumi Tamura retrata um mundo destruído por um asteróide, que abriga somente poucos grupos de pessoas designados para garantir a sobrevivência da raça humana. Cada uma delas foi selecionada a dedo por um programa do governo japonês chamado 7SEEDS, que já previa a aniquilação de todos os seres vivos na terra. No caso, um total de cinco grupos de sete homens e mulheres acordam em um cenário totalmente inesperado com a função de sobreviver, custe o que custar.


O padrão dos indivíduos escolhidos é ser jovem, saudável e com inteligência o suficiente para se virar no novo mundo. No entanto, o governo japonês também criou secretamente um grupo de crianças geneticamente modificadas para serem treinadas somente em técnicas de sobrevivência. No final, apenas sete delas seriam selecionadas para salvar o futuro. A parte especialmente sombria é a maneira como os testes de seleção são realizados pelos professores, que chocam o público na mesma medida em que parecem perfeitamente aceitáveis para os que os conduzem.


Vale tudo para sobreviver?

O ponto mais interessante desse cenário é até que ponto o ser humano está disposto a ir para continuar vivo. No caso, sobrevivência muitas vezes é sinônimo de priorizar a própria vida e as próprias necessidades em detrimento das dos outros. Trata-se de uma mentalidade que pode ser bastante perigosa se pensarmos em termos de ética e direitos humanos.


Em uma situação pós-apocalíptica, o mundo se encontra sem regras sociais ou leis a serem cumpridas, pois não existem mais juízes, policiais ou prisões. Ou seja, as pessoas se vêem livres para fazer o que bem entendem sem as devidas conseqüências, em completo estado de anarquia.


Apesar das ameaças apresentadas pela natureza, como animais selvagens e bactérias, o maior perigo são as pessoas. Isso porque elas podem (e provavelmente irão) roubar, estuprar, enganar e matar outros grupos para se apoderarem de seus recursos e eliminar a concorrência. Em situações como essas, o ser humano é reduzido ao seu estado mais deplorável, pois utiliza sua inteligência e capacidade de discernimento para se aproveitar de outras pessoas.


A complexidade humana


O cérebro humano é muito complexo e pode ser usado tanto para o bem, como para o mal. Em 7SEEDS, podemos observar diversos momentos profundos e extremamente humanos das personagens, como em ocasiões de intensa solidão, solidariedade com quem está em perigo e parceria sincera com indivíduos de outros grupos.


A série traz ótimas reflexões sobre as dificuldades, dúvidas e medos das pessoas que se encontram em um panorama inimaginável como aquele. No entanto, ela também mostra como a frieza e falta de escrúpulos são consideradas características úteis e até louváveis para garantir a própria sobrevivência.


Ficção x realidade

Com essas reflexões em mente, podemos fazer um paralelo entre situações de sobrevivência e nossa atual realidade em meio à pandemia. O que elas mais têm em comum é a incerteza do futuro e a luta pela vida, ambas originadas de um fenômeno sombrio e fora do nosso controle. Apesar das diferenças sociais influenciarem bastante quem sobrevive e quem não sobrevive, ainda assim todos estão sujeitos a uma possível contaminação e significativas perdas financeiras.


Ao ser privado de uma realidade civilizatória “normal”, sem acesso à comida, abrigo, energia, água encanada e sistema de saúde, o ser humano pode se transformar muito rapidamente. Se já presenciamos situações absolutamente questionáveis de pessoas que tem o melhor acesso a todas essas necessidades e muito mais, imagine então se estivessem em um cenário de real escassez e perigo.


No entanto, acredito ser possível encontrar um balanço entre empatia e solidariedade com os outros e a preservação da própria vida. O mundo não precisaria se tornar uma selva em uma situação de fim de mundo, pois o ser humano continua com o potencial de agir com ética e princípios, apesar de suas inúmeras limitações. Mas falo pensando no meu próprio comportamento. Infelizmente, não posso falar pelos outros. E você, como acha que se comportaria se estivesse largado em um mundo destruído para sobreviver?


Por Julia P.D.

Atualizado: Jun 25

A série brasileira Coisa Mais Linda, que acaba de ter sua segunda temporada lançada na Netflix, veio para esclarecer e, acima de tudo, para ensinar. Com um elenco excepcional e personagens fortes e singulares, a história foca nas desigualdades de gênero presentes na nossa sociedade. Por se desenrolar no final dos anos 50, ela evidencia com maestria a falta de direitos das mulheres e a violência e preconceito que sofriam na época, além de abordar o racismo de maneira bastante realista. Infelizmente, muitas das situações representadas na trama podem ser transferidas para os dias de hoje.


Claro, as leis se desenvolveram durante as décadas e fomos capazes de conquistar muito mais direitos do que há 60 anos atrás. Devemos essas vitórias às sufragistas do passado, que foram presas, torturadas, assediadas e mortas apenas para que as mulheres de hoje pudessem sequer ter o direito ao voto. Graças a elas, conquistamos hoje o direito de trabalhar, estudar, de escolher com quem casar e quando ter ou não filhos, e de ser independentes ao invés de mera propriedade dos homens. No entanto, ainda temos um longo caminho a percorrer.


Série brasileira "Coisa Mais Linda"

A série aborda temas de suma importância, que afetam profundamente o gênero feminino até hoje – tais como opressão, preconceito, violência doméstica, objetificação, agressão sexual e julgamento social. Ferramentas das quais a sociedade se utiliza para inferiorizar a mulher e culpabilizá-la pelas situações de violência que é obrigada a enfrentar. Com essa desculpa, milhares de vozes já foram caladas ao longo da história da humanidade.


Como grande apreciadora do cinema nacional, fiquei muito encantada com a série, que veio apenas para escancarar a qualidade da produção brasileira. Por isso, decidi usar esse espaço para fazer algumas reflexões sobre os temas abordados na história, focando nos exemplos principais da série.


Malu, Ligia, Thereza e Adélia – histórias realistas de mulheres exemplares


Podemos considerar as personagens principais um quarteto fantástico, pois elas nos presenteiam com inúmeros ensinamentos sobre as relações humanas. Para abordar os tópicos mencionados acima, iremos usá-las como exemplo para ilustrar os preconceitos presentes no dia a dia.


A paulistana Malu (Maria Casadevall) é uma mulher jovem, casada e com um filho, que decide se mudar para o Rio de Janeiro e abrir um restaurante com o marido. No entanto, um belo dia, ele resolve fugir com todo o seu dinheiro. Felizmente, ela consegue firmar uma sociedade com Adélia e abrir um “clube de música” chamado Coisa Mais Linda. O novo negócio é erguido com muito esforço e acaba sendo um grande sucesso.


Após algum tempo, o marido de Malu resolve reaparecer e impor a sua presença na vida dela novamente. Quando a jovem decide se divorciar, ele a ameaça e decide fechar o clube de música que ela levantou do zero com tanto suor, pois mulheres não tinham direito à propriedade naquela época. Ou seja, o Coisa Mais Linda pertencia oficialmente ao seu marido aos olhos da lei, o que a impossibilitava de tomar qualquer decisão em relação ao seu próprio empreendimento.


Violência doméstica e impunidade

A personagem Ligia (Fernanda Vasconcellos) sofre um relacionamento abusivo com o marido, que a agride verbalmente, fisicamente e sexualmente. Além de tudo, após ela finalmente se encontrar como cantora no novo clube, ele tenta podá-la de todas as formas possíveis. Afinal de contas, mulheres não podem se expor, ter um trabalho e fazer o que bem entendem, não é?


Apesar de tentar esconder a realidade que vive em casa, muitas pessoas sabem da violência, porém não reagem e nem reportam o caso à polícia.


Como já era de se esperar, em um determinado momento, o marido tem um surto e assassina Ligia em frente a todos os amigos dela. Acho que nem preciso dizer como essa história termina, não é? Ele sai impune, pois sua mulher “o traía, era promíscua e não o obedecia”, por isso ele se descontrolou. Para resumir, a culpa era da moça, pois ele sempre foi considerado um “homem e marido exemplar” perante a sociedade.


As batalhas da mulher negra


Adélia (Pathy Dejesus) é uma jovem negra, moradora de favela, que luta todos os dias para proporcionar uma vida melhor à sua filha. Apesar de viver à margem da sociedade, finalmente consegue abrir o próprio “clube de música” com a amiga Malu, que prospera em muito pouco tempo. No entanto, ela continua a ser tratada pelos brancos (especialmente homens) como faxineira do local ao invés de sócia.


Outra situação recorrente na vida de Adélia é o racismo em espaços públicos. Logo que se muda para um bairro de prestígio na zona sul do Rio de Janeiro, vira alvo de preconceito dos moradores locais. Afinal de contas, uma mulher negra não tem nada o que fazer lá, certo? Além disso, é repreendida por utilizar o elevador social com a filha no próprio prédio em que reside.


Com esse exemplo fica evidente que, embora a mulher branca sofra preconceito de gênero, a mulher negra sofre um preconceito duplo - de gênero e racial.


O que devemos fazer para melhorar?


Devemos seguir o exemplo dessas quatro mulheres para tornar o espaço público e pessoal um local mais respeitoso e acolhedor para todas nós. Com uma relação baseada na honestidade e sororidade (aliança e companheirismo entre mulheres) acima de tudo, essas fortes personagens nos mostram como é importante escolher suas batalhas e não aceitar desrespeito e preconceito de ninguém.


Portanto, nós deveríamos questionar o que vemos e ouvimos no nosso cotidiano, mesmo (e especialmente) se forem situações consideradas normais pela maioria. Vários comportamentos nocivos são normalizados justamente porque muitas pessoas perpetuam os mesmos preconceitos e muitos não têm coragem de enfrentá-las. Eles podem vir na forma de comentários sobre sexualidade, aparência, comportamento, piadinhas, entre muitos outros. Cabe a cada um de nós (inclusive a vocês, homens) combatê-los para podermos desconstruir esse machismo tão enraizado em nossa sociedade.


Como bem disse a escritora australiana Dale Spender, autora do livro Man Made Language: "O feminismo não declarou guerras. Não matou oponentes. Não montou campos de concentração, não fez inimigos passarem fome, não praticou crueldades. Suas batalhas foram pela educação, pelo voto, por melhores condições de trabalho, pela segurança nas ruas, por creches, pela assistência social, por centros de apoio a vítimas de estupro, abrigos para mulheres, mudanças nas leis. Se alguém me diz 'Ah, eu não sou feminista' eu pergunto 'Por que?'"


Por Julia P.D.

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